Policiais presos em Iúna tomavam terra de produtores rurais
(Foto: Reprodução / A Notícia do Caparaó) |
Pequenos agricultores eram algumas das principais vítimas da
quadrilha formada por policiais militares no Sul do Estado e detida na
quarta-feira. Investigações do Ministério Público Estadual apontam que o grupo
tomava até terrenos e sacas de café dos produtores, após ameaçá-los. O bando
também é acusado de pistolagem e agiotagem.
A organização criminosa estaria agindo havia cerca de 20
anos. De acordo com o Ministério Público, integravam o bando o tenente-coronel
da PM Weliton Virgílio Pereira - comandante do 14º Batalhão, em Ibatiba -, mais
sete militares, um ex-PM e empresário Eduardo Gomes de Matos, do ramo do café.
Todos estão presos, e novas prisões não estão descartadas.
O MP constatou dezenas de telefonemas entre os suspeitos. Só
entre o cabo Mello e o tenente-coronel Weliton, foram 154 ligações para o mesmo
celular.
Modo de agir
O procurador-geral de Justiça, Fernando Zardini, afirmou que
detalhes das ações do bando ainda estão sob investigação. Fontes ligadas à
polícia informaram que os agricultores entregavam sacas de café para serem
guardadas nos armazéns de Matos e recebiam vales. Mas os criminosos tomavam o
comprovante. Muitos produtores ficavam com uma suposta dívida e tinham que
entregar até terrenos e lotes.
Ação
Da ação de quarta-feira, feita em Alegre, Ibatiba, Iúna e
Irupi, participaram 120 policiais civis, 80 militares e 30 rodoviários
federais. Foram apreendidos muitos documentos.
Os militares e o ex-policial foram detidos nessa ocasião; e
o empresário, no último dia 23, quando foram apreendidas 15 armas - algumas de
uso restrito.
"Após as prisões, cinco pessoas procuraram o MP para
relatar que foram vítimas de extorsão por parte da organização", frisou
Zardini. Ele comentou que, no início das apurações, um delegado e uma promotora
de Justiça de Iúna chegaram a ser ameaçados.
Milícia
Policiais definiram os integrantes da quadrilha como
milicianos. Mas o secretário de Segurança Pública, Henrique Herkenhoff, nega a
existência de milícias no Estado. "Não encontramos aqui nada parecido com
o que se instalou no Rio de Janeiro. A secretaria combate situações que podem
desdobrar para isso", explicou.
Operação recebe nome bíblico
A operação feita no Sul do Estado foi chamada de
"Magogue". "O nome é uma referência ao Apocalipse e trata de uma
perseguição ao Reino de Deus promovida por parte do dragão simbólico, o Satanás",
afirmou o MP.
Cheque de prefeitura estava com suspeito
Em meio aos documentos apreendidos durante a prisão do
empresário Eduardo Gomes de Matos, no último dia 23, em Iúna, a polícia
encontrou um cheque emitido pela prefeitura da cidade no valor de R$ 370 mil.
O Ministério Público afirmou que o valor seria relativo à
venda de um terreno do empresário, comprado pela prefeitura. Segundo o MP, há
indícios de que foi uma venda fraudulenta, uma vez que houve dispensa de
licitação.
O prefeito de Iúna, José Ramos, explicou que não houve
licitação porque o lote adquirido foi um dos dois imóveis aprovados pelos
engenheiros do Ministério de Ciência e Tecnologia para construção de uma escola
profissionalizante.
"Diversas áreas foram visitadas; e só duas aprovadas. O
dono do outro terreno não manifestou desejo em vender o bem. Dessa forma,
restou o lote comprado", explicou Ramos.
A dispensa da licitação foi publicada no Diário Oficial da
União, e a documentação foi encaminhada à Câmara Municipal para aprovação. O
material envolvendo a compra do terreno foi entregue ao Ministério Público.
A Prefeitura de Alegre, também alvo da investigação,
confirmou que a polícia esteve no prédio municipal em busca de documentos sobre
empresas contratadas na área de vigilância. O MP apura, ainda, fraude na
prestação de serviços e de licitações.
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(Imagem: Divulgação / Jornal A Gazeta) |
Com Informações de Ana Paula Mill - Jornal A Gazeta - Fotos A Notícia do
Caparaó